quinta-feira, 17 de maio de 2007

Galvanômetros e galvanômetros

- Existem galvanômetros e galvanômetros.

- Como assim?

- Existem os galvanômetros, aqueles que medem corrente elétrica, voltagem e tal. Coisa de kit de primeiros socorros de um eletricista. Coisa que já foi usada várias vezes na casa de qualquer um. Indispensável.

- Sim.

- E existem os galvanômetros, palavra que ninguém sabe o que é.

- Como assim?

- Ninguém sabe o que é um galvanômetro. Todo mundo já precisou de um, eles são indispensáveis, já evitaram choques e incêndios, mas ninguém sabe o que é. Um eletricista precisa saber, ninguém mais. Se todos soubessem o que era um galvanômetro, aí precisariam saber o que é volt, ampère, etc. Sabendo o que é isso, iriam querer achar uma utilidade. Então, todos seriam eletricistas. E os atuais eletricistas teriam que arranjar um outro emprego.

- Exato.

- Então a vida dos eletricistas depende do desconhecimento das pessoas sobre o que é um galvanômetro.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Compra-se idéias

Bateu! Bateu a falta de idéia do que escrever. Nem uma ideeira salva dessa vez. Mas e se talvez a ideeira pudesse gerar idéias? Além de guardar idéias, geraria também. Genial! Teria tipo um teclado com os tipos de idéias, gênero e tal. Tipo, eu quero uma idéia engraçada ou séria? Uma idéia mais complexa ou mais simples? Uma idéia absurda ou crível? Você escolheria no teclado e a ideeira lhe daria várias idéias, você escolheria a que mais se adequou ao que você quer e pronto. Uma idéia nova em forma com apenas alguns botões apertados. Mas como ideeiras ainda vivem no mundo da imaginação, continuo tentando ter uma idéia.

E se no Mundo dos Mins, além da Fábrica de Mins, existisse uma Fábrica de Idéias? Elas poderiam trabalhar em conjunto, cada Mim nasceria com várias idéias, mais precisamente uma para cada dia de vida. Assim, todo dia, ele teria uma idéia nova para escrever no blog. Mas como o Mundo de Mins ainda é um Mundo da Imaginação, continuo tentando ter uma idéia.

Talvez uma árvore de idéias. Plantaríamos sementes de idéias e elas nasceriam, virariam árvores e dariam vários frutos com idéias, podiam se chamar ideiaranjas, ideiancias, ideiaçãs... Mas você comeria e teria uma idéia. Quando quisesse uma idéia, era só ir no pomar. Mas como árvores de idéias só nascem no mundo da imaginação, continuo tentando ter uma idéia.

É difícil forçar uma idéia. Terrível. Mas olha! Já saiu um texto.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

“Hoje é o primeiro dia do resto de minha vida”

Depois de 18 anos de vida, eu faço 18 anos. Hoje será um dia longo, mas acabará com a exata duração dos outros dias do ano. A partir de agora eu posso mover dinheiro na conta do banco, mas não tenho conta no banco e nem dinheiro. A partir de agora eu posso dirigir, mas não tenho carteira de motorista, carro e nem sei dirigir. A parir de agora eu posso comprar cerveja, mas eu já comprava. A partir de agora eu posso ver Playboy, mas eu já via. A partir de agora eu posso ser preso, mas eu já podia.

Minha vida continuará a mesma. A não ser porque agora eu terei 18 anos. Terei 18 anos, mas não sou diferente. A não ser porque agora eu terei 18 anos. Não serei mais velho que ninguém que era mais velho que eu.

Porque o tempo passa igual para todo mundo? Claro, numa aula de matemática o tempo para mim passa, teoricamente, muito devagar, mas na prática é o mesmo. Porque não podemos dar um “slowdown” no tempo? Ou um “fast forward“?

Uma bala de revolver vem até você, o que pensar? “Vou dar um slowdown e desviar da bala a la Neo”, “foda-se, que me mate logo, um fast forward.”

O leque de possibilidade é grande: sua sogra caindo do prédio, seu time perdendo...
Eu deveria ter dado um slowdown nos meus 14 anos.

(a frase do título é do filme Adaptação, escrito por Charlie “God” Kaufman)